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  • Grazielle e Rúben

Série Desvendando Macaé: Mota Coqueiro, o último enforcado do Brasil

Artigo publicado no jornal "O Diário da Costa do Sol" em 20/01/2020

https://cliquediario.com.br/artigos/serie-desvendando-macae-mota-coqueiro-o-ultimo-enforcado-do-brasil


Hoje trazemos para os leitores das memórias macaenses a história de Motta Coqueiro, fazendeiro na região de Macaé enforcado em praça pública e que deixou muitas histórias e estórias a serem desvendadas.


No dia 06 de março do ano de 1855, aconteceu em Macaé a última pena de morte do Brasil assinada pelo Imperador, o enforcamento de Manoel da Motta Coqueiro, conhecido como o caso da fera de Macabu, que teve repercussão nacional.


Essa condenação foi decorrente da acusação de que Motta Coqueiro teria cometido uma chacina, ocorrida dentro de suas terras, localizadas em Conceição de Macabu (que era nessa época, distrito de Macaé), na data de doze de setembro de 1852.


A história conta que após ter acolhido uma família composta por um casal com seis filhos, em sua fazenda, trocando o abrigo por mão de obra, Motta Coqueiro, que era casado, teria se envolvido amorosamente com a filha mais velha do casal, causando então desentendimento entre ele e o chefe da família, Francisco Benedicto, que ao descobrir a relação ilícita, teria lhe proferido uma surra.


O crime não foi totalmente desvendado nas investigações, o que se sabe com certeza é que dias após o pai de família ter surrado Motta Coqueiro, a família composta por oito integrantes foi cruelmente carbonizada em um incêndio enquanto dormiam. A comoção popular foi avassaladora e o acusado condenado à morte em praça pública. Nos minutos que antecederam a punição, Motta Coqueiro que se dizia inocente, lançou sobre a cidade uma praga de que nos próximos cem anos, a partir de tal injustiça, estariam todos amaldiçoados, criando assim uma das lendas que envolviam tal crime, “Os cem anos de maldição de Motta Coqueiro”.


Relata-se também que após sua morte, surgiram entre tantos boatos a possibilidade de que não tivesse sido esse, o autor de tal atrocidade. Levantaram-se então suspeitas de que a mandante do crime tivesse sido Úrsula, sua esposa, que por ciúme da amante do marido, tivesse mandado executar a família.


Outra hipótese que se levantou foi que o mandante do crime tivesse sido Herculano, o namorado da moça, preterido pela relação entre ela e o patrão.


A única certeza sobre o ocorrido é que essa barbárie nunca foi totalmente desvendada, o que deu margem a diversas suposições que vieram a se tornar lendas ao entorno do caso, entre elas, a de que na Praça da Luz, onde houve a execução, e hoje se encontra a Escola Estadual Luiz Reid, podia-se ver, na época, um vulto branco e fantasmagórico arrastando correntes.


Uma das maiores curiosidades desse caso é que, após sua punição, a pena de morte para homens livres, foi extinta no Brasil.

Grazielle Heguedusch – Turismóloga com Pós graduação em História e Cultura no Brasil. Criadora do Almanaque Macaé Turismo e do Desvendando Macaé. Autora do Be-a-bá do Receptivo Turístico de Macaé. Pesquisadora do OMM Observatório da Memória Macaense. www.almanaquemacaetur.com.br

Rúben Pereira – Musico, Poeta e Memorialista. Criador do Almanaque Macaé Turismo e do Desvendando Macaé. Gerencia o OMM Observatório da Memória Macaense.  Co-autor do Be-a-bá do Receptivo Turístico de Macaé. www.almanaquemacaetur.com.br

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