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  • Grazielle e Rúben

Série Desvendando Macaé: história cronológica de Macaé, até a criação da Villa São João de Macahé

Artigo publicado no jornal "O Diário da Costa Do Sol" de 10/02/2020

https://cliquediario.com.br/artigos/o-desvendando-macae-apresenta-a-historia-cronologica-de-macae-ate-a-criacao-da-villa-sao-joao-de-macahe-em-duas-partes






Parte II

Amigos leitores, aqui, seguimos com a segunda parte da história cronológica de Macaé, onde revelaremos diversas curiosidades ocorridas em nosso município, em tempos remotos. Lembrando que essa história, é fruto de pesquisas, onde diversos autores foram estudados a fundo, mas nosso querido Tonito, segue sendo nossa fonte inspiradora.


Em 1630, três anos depois da conquista dos sete capitães, com uma petição datada de primeiro de agosto, os jesuítas fizeram a mesma requisição ao capitão- mor e governador da cidade do Rio de Janeiro, Martim Corrêa de Sá, requerendo a concessão de duas sesmarias.


Uma abrangendo as terras situadas entra a barra dos Rios Macaé e Paraíba e a outra abrangendo as terras situadas entre os Rios Macaé e Leripe (atual Rio das Ostras).


Porém, como as terras da foz do Rio Macaé para o norte já haviam sido doadas aos Sete Capitães, os jesuítas não conseguiram seu intento por completo, tendo despacho favorável apenas para a segunda sesmaria solicitada, que abrangia as terras desde a barra do Rio Macaé até o Leripe.


Assim como era de costume na época, a povoação dos jesuítas se constituiu as margens do Rio Macaé, um pouco acima da foz, em um morro com visão estratégica.


Ali levantaram as primeiras edificações, compostas por cabanas, currais, um  colégio (entre o morro e o rio, por isso a Rua Télio Barreto é conhecida como Rua do Colégio) e, no alto do morro, com uma vista privilegiada, com ampla visão, de um lado para o mar e as ilhas e do outro para as campinas e serras, ergueram, entorno de 1630, uma pequena capela que dedicaram à avó de Jesus e mãe da Virgem Maria, Sant'Anna.


Com a instalação dos jesuítas, houve a implantação de dois engenhos de açúcar, um na região da Aroeira, outro em Imboassica, senzalas, paiol, fábrica de farinha, currais, enfim uma boa estrutura de produção rural, passando a ser chamada de Fazenda Macaé.


Assim seguiram os jesuítas catequizando, estabelecendo sua religião, alfabetizando e treinando os índios para o trabalho e aprendendo com eles também.


Foram muito prósperos e bem sucedidos em seu empreendimento até 1759, quando marques de Pombal decretou diretamente de Portugal, a expulsão dos jesuítas do Brasil, confiscando as terras da Fazenda Macaé, que voltaram às mãos da Coroa Portuguesa e, sem ter destino melhor, foram leiloadas em hasta pública, sendo arrematadas por algo entorno de trinta e um contos, por um senhor chamado Gonçalo Marques de Oliveira (um mestre caldeireiro do Rio de Janeiro).


Gonçalo Marques de Oliveira tinha boas intenções de melhorias para a localidade, como a construção de mais casas e de uma capela às margens da Lagoa de Imboassica, precisava também realizar a restauração e manutenção de estruturas e bens danificados que adquiriu, entre outras ações.


Porém, essas e outras despesas afetaram-no financeiramente, causando imenso prejuízo. Para remediar sua situação, decidiu vender metade da Fazenda Macaé para o Capitão Bento José Ferreira Rabelo, com o trato de que, se um dos dois proprietários viesse a vender sua parte das terras daria prioridade ao sócio.


No entanto o Capitão Rabelo morreu após três anos de sua aquisição, deixando Gonçalo Marques em delicada situação financeira mais uma vez, o que o levou a vender a outra parte de sua propriedade, no ano de 1805, para pagar os credores.


Sendo assim o território de Macaé ficou dividido em duas partes: a parte denominada então “Fazenda Velha de Sant'Anna”, pertencente a viúva e herdeiros do capitão Bento Rabelo e a outra “Fazenda de Boa Cica”, que foi adquirida, nesta última venda, pelo advogado Nunes Pereira.


Em janeiro de 1808, a família real chega ao Brasil. Vieram em fuga da dominação francesa sobre a Europa, liderada por Napoleão Bonaparte.


Fixaram-se os monarcas, então, no Rio De Janeiro a sede da corte portuguesa.

Devido a enfermidade incurável de Dona Maria, a rainha de Portugal, seu filho D. João assumiu o governo de seu reinado como príncipe regente.


Sendo assim a população residente no território onde hoje se encontra Macaé, enviou ao príncipe regente um requerimento solicitando a emancipação do povoado, tendo então, na data de 29 de julho de 1813, um alvará assinado por D. João, respondendo, “Hei por bem erigir em vila a referida povoação com o nome de Villa de São João de Macahé”.

  1. João exigiu como compromisso da população, que fosse construído as próprias custas, a Casas da Câmara e de Audiência, a Cadeia, o Pelourinho, entre outras instituições. Além de a própria população também se responsabilizar pelos encargos públicos.

Em janeiro de 1814, o Desembargador Ouvidor Geral da Corte do Rio de Janeiro, Manoel Pedro Gomes, desembarcou na Villa de São João de Macahé com o propósito especial de empossar as primeiras autoridades da nova terra independente.


Um fato curioso foi que os três vereadores da primeira Câmara foram escolhidos através de sorteio.


O crescimento da Villa de São João de Macahé foi lento e custoso, tendo em vista que todos os investimentos para seu desenvolvimento tenham sido empenhados por seus moradores.

Segundo manuscritos do Visconde de Araruama (1788- 1864), a atividade econômica local se baseava em: “cultivo da cana para a produção do açúcar e aguardente, a mandioca para farinha, milho arroz e legumes para subsistência das propriedades, a extração e o comercio de madeira constituíam a principal atividade econômica, assim como a atividade pesqueira.”



Grazielle Heguedusch – Turismóloga com Pós graduação em História e Cultura no Brasil. Criadora do Almanaque Macaé Turismo e do Desvendando Macaé. Autora do Be-a-bá do Receptivo Turístico de Macaé. Pesquisadora do OMM Observatório da Memória Macaense. www.almanaquemacaetur.com.br

Rúben Pereira – Musico, Poeta e Memorialista. Criador do Almanaque Macaé Turismo e do Desvendando Macaé. Gerencia o OMM Observatório da Memória Macaense.  Co-autor do Be-a-bá do Receptivo Turístico de Macaé. www.almanaquemacaetur.com.br

Imagens: Acervo da Biblioteca Nacional

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