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  • Grazielle e Rúben

Série Desvendando Macaé: História cronológica da colonização à criação da Villa São João de Macahé

Artigo publicado no jornal "O Diário da Costa Do Sol" de 03/02/2020

https://cliquediario.com.br/artigos/serie-desvendando-macae



O Desvendando Macaé, apresenta a história cronológica de Macaé, até a criação da Villa São João de Macahé, em duas partes 


Parte I


Amigos leitores, a partir de muitas pesquisas sobre a história de Macaé, conseguimos escrever esse texto, que se divide em duas partes, pelo seu denso conteúdo, como forma de compartilhar nosso conhecimento e nosso grande amor por Macaé.


Nossas pesquisas se baseiam em diversos autores, como Lamego, Visconde de Araruama, entre tantos outros, mas nossa maior fonte de inspiração é o Professor Antonio Alvarez Parada, querido “Tonito”, do qual somos guardiões do acervo, com a devida autorização de seu detentor.


Esperamos que vocês se deliciem com essa linda história que abrange desde os tempos do colonialismo até a criação da Villa de São João de Macahé, em 29 de julho de 1813.


Martim Afonso fundou a Vila de São Vicente, a primeira Vila brasileira, na data de 22 de janeiro de 1532, onde hoje se encontra a Ilha de São Vicente, litoral sul do estado de São Paulo, iniciando assim a fixação do homem branco em terras brasileiras.


Porém, pelo alto custo erário desse formato de colonização, D. João III suspendeu-a, substituindo-a pelas Capitanias Hereditárias, que em 1534, instalou-se, loteando o território brasileiro em quinze porções de terras, paralelas, de norte a sul do país, entre o Oceano Atlântico e a linha de Tordesilhas.


Dentre elas estava a Capitania de São Tomé, situada entre a Capitania do Espírito Santo (ao norte) e a de São Vicente (ao sul).


Com suas limitações topográficas demarcadas desde a margem norte do Rio Macaé à margem sul do Rio Itapemirim, sendo à leste, banhada pelo Oceano Atlântico.


O primeiro donatário da Capitania de São Tomé, ou seja, o primeiro dono das terras onde se encontra Macaé, foi o nobre fidalgo português e primeiro capitão mor do Brasil, Pero de Gois da Silveira, que chegou ao Brasil na Armada de Martim Afonso.


A carta de doação foi assinada por D. Manoel em 1534, porém iniciou-se a colonização apenas em 1539.


Pero Gois escolheu a porção ao norte de suas terras para iniciar a povoação, erigindo ali então, a capela de Santa Catarina, em homenagem à rainha, fazendo com que, consequentemente, a localidade fosse denominada Vila de Santa Catarina ou Vila da Rainha.


Porém, o donatário não contava com um grande obstáculo: os habitantes daquela localidade, os índios Goytacás, que habitavam as planícies dessa região eram considerados hostis, agressivos e eram temidos pelos europeus.


Após a traição de um branco ali vivente, ao chefe da tribo Goytacá, que se inclinava em favor dos portugueses, instaurou-se uma guerra de combates violentos que perdurou por cinco anos, levando Pero Gois a abandonar a donataria, já cego de um olho, partiu então, para a capitania vizinha do Espírito Santo, para salvaguardar sua vida e a dos seus.


Em abril do ano de 1548, arruinado, retornou para Portugal, mas já em fevereiro de 1549, chega de volta ao Brasil, ostentando o posto de Capitão Mor da Costa brasileira, na armada de Tomé de Souza.


Nessa mesma ocasião, seu filho Gil de Gois investiu em uma nova tentativa de colonização da Capitania de são Tomé e, apesar de empreender nova povoação e o levantamento de engenhos, ele não teve êxito, por motivo de não conseguirem dominar os Goytacás e, consequentemente, terem tido inúmeros prejuízos (entre eles mortes), os portugueses abandonaram da Capitania de São Tomé,  o que levou essas terras a ficarem abandonadas.


Em decorrência disso, as terras ficaram entregue aos piratas e contrabandistas ingleses e franceses, que se estabeleceram, entorno de 1560, próximo à Lagoa Feia, na orla do mar, onde praticavam deliberadamente o contrabando de madeiras e toda sorte de riquezas que viessem a encontrar pela frente. 


Até que foram atacados e dizimados pelo governador do Rio de Janeiro, Salvador Corrêa de Sá, sobrinho de Mem de Sá.


Daí até o fim do século foi um contínuo suceder, de lutas sangrentas, de pequenas guerrilhas de portugueses contra franceses e índios, ora vitoriosos, ora derrotados, nas costas e nas terras da abandonada de São Tomé,


Em 1580, começa na Europa, o domínio Espanhol sobre Portugal, tendo em vista que com o falecimento de D. Manoel I, o trono veio ao poder do rei da Espanha, Felipe II, que era seu neto, tornando-se Felipe I de Portugal, sendo este sucedido por seu filho, Felipe III da Espanha e II de Portugal, que já em 1600, regia os dois tronos.


Estando ele representado em várias cortes europeias, inclusive na Inglaterra, onde Gondomar, o embaixador espanhol em Londres, através de minuciosa espionagem diplomática, descobriu um plano de aventureiros ingleses que pretendiam estrategicamente estabelecer-se na região, levantando fortificações e portos.


Automaticamente, Gondomar levou essa informação ao rei, que avaliou cuidadosamente suas riquezas e os riscos, Felipe II  expediu  novas ordens a Gaspar de Souza, recomendando-lhe, em especial, que estabelecesse cerca de duzentos índios em uma aldeia sobre o Rio Macaé, defronte as ilhas de Sant'Anna.


Os índios que deveriam povoar a localidade eram os Carijós, trazidos da aldeia de São Paulo, ficando, a partir daí, sob o comando de Amador de Souza, filho de Araribóia, o fundador de Niterói.


Porém, as terras continuavam sendo consideradas abandonadas por conta da capitania fracassada, até que em 1627, um grupo de militares que tinham prestado, por cerca de trinta anos, serviços ao rei, conhecidos como Sete Capitães, redigiram-lhe uma petição, solicitando as terras através de sesmaria.


Os Sete capitães (a saber: Gonçalo Correa, Manoel Correa, Duarte Correa, Miguel Ayres Maldonado, Miguel da Silva Riscado, João de Castilho e Antonio Pinto Pereira), vieram em suas terras apenas em três ocasiões: em novembro de 1632 (vindos de Cabo Frio, com a finalidade de explorar o território da costa ao interior), em outubro de 1633 (novamente aqui estiveram para realizar a partilha das terras) e, por fim, em novembro 1634, porém, já reduzidos a quatro, sendo eles Maldonado, Castilho, Riscado e Duarte.


Eles foram pioneiros e muito importantes na história de Macaé, pois foram eles que desbravaram os sertões, levantaram os primeiros currais, intensificaram o plantio de mandioca, fizeram diversos relatos sobre a região, descrevendo a paisagem, os habitantes aqui existente, seus costumes e algumas curiosidades, como quando encontraram um negro entre os índios e, ao questionarem se o negro era crioulo da terra e quem era seu dono, ele respondeu que era 'forro' e não era dali, era da nação Quissamã, nomeando então, a localidade onde o negro se encontrava com o nome de sua nação.


Também nomearam a Lagoa Feia, lhe deram esse nome por conta de uma tempestade que a deixou assustadoramente revolvida, e assim seguiram, dando nome aos lagos, campinas, rios e todos os acidentes geográficos que encontraram pela frente. Essas entre outras foram as importantes contribuições dos Sete Capitães para Macaé.


Grazielle Heguedusch – Turismóloga com Pós graduação em História e Cultura no Brasil. Criadora do Almanaque Macaé Turismo e do Desvendando Macaé. Autora do Be-a-bá do Receptivo Turístico de Macaé. Pesquisadora do OMM Observatório da Memória Macaense. www.almanaquemacaetur.com.br


Rúben Pereira – Musico, Poeta e Memorialista. Criador do Almanaque Macaé Turismo e do Desvendando Macaé. Gerencia o OMM Observatório da Memória Macaense.  Co-autor do Be-a-bá do Receptivo Turístico de Macaé. www.almanaquemacaetur.com.

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