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  • Grazielle e Rúben

Série Desvendando Macaé: Antonio Alvarez Parada: Memorialista Macaense

Artigo publicado no jornal "O Diário da Costa Do Sol" de 14/04/2020

https://cliquediario.com.br/artigos/serie-desvendando-macae-antonio-alvarez-parada-memorialista-macaense




Antonio Alvarez Parada, o Tonito, nasceu em Macaé em 27 de dezembro de 1925. Viveu e atuou em Macaé até as vésperas do dia 15 de março de 1986 quando uma cirurgia, realizada em

São Paulo nos tirou o professor amado e memorialista de primeira.


Antonio Alvarez Parada nasceu de família espanhola, da Galícia, e com uma educação sempre esmerada o menino Tonito logo se destacou em seus estudos. O melhor aluno, mais premiado e mais adorado pelos mestres. Em Macaé estudou com D. Irene Meirelles numa das escolas mais renomadas de Macaé. A Escola das irmãs Meirelles. Em sua fase secundária foi para Niterói e tornou-se o melhor aluno do Salesiano e da Escola Professor Accyoli. Premiado, inclusive num fim de ano escolar com todas as pompas e glórias. Toma parte parcialmente no curso superior na Escola de Química da UFRJ e uma estafa o tira do curso trazendo-o definitivamente para sua amada Macaé onde depois de diversas investidas no ramo do comércio o faz aceitar o convite para lecionar e acabar se encontrando no papel de Professor.

Professor de Química, mas também de física e espanhol conforme a necessidade da escola. Tonito era assim, sempre disposto a fazer a diferença no meio em que vivia, mas de forma natural e pacífica. Um mestre. Professor de gerações de macaenses no Ginásio Macaense e depois no Luiz Reid e na escola do Senai. Deixou uma legião de alunos apaixonados por seu jeito se transmitir os ensinamentos.


Apaixonado por Macaé, Tonito, começa a pesquisar e guardar tudo que pode sobre a história do município e arredores. Passa a contribuir com jornais macaenses escrevendo artigos históricos e torna-se memorialista e escritor. Em 1958 lança seu primeiro livro o seminal “Coisas e gente da Velha Macaé” editado pelo próprio autor e recebido com grande entusiasmo em toda região. Em 1963 nos brinda com “ABC de Macaé” um Guia Informativo e Turístico segundo o próprio autor, em edição também própria e com um detalhe. Este livro foi feito especialmente para as comemorações dos 150 anos de emancipação política e administrativa de Macaé, ocasião esta em que Tonito lança também o Hino de Macaé em parceria com outro grande macaense, o pianista Lucas Vieira.

No ano de 1968 Antonio Alvarez Parada lança seu terceiro livro: “Pesquisa de Anions e Cations” um livro de práticas de Química. Um tratado. 12 anos depois, em 1980, o professor e memorialista macaense lança o livro ”Histórias da Velha Macaé”, resultado de seu trabalho laborioso em pesquisas de jornais macaenses do século XIX, arquivos cartoriais e nas atas de nossa Câmara Municipal. O quinto livro de sua trajetória vem em 1982, o “Imagem da Macaé Antiga” em que o autor apresenta um arquivo fotográfico histórico e discorre em textos as histórias contidas naquelas imagens. Em 1983 a sociedade e juventude macaense ganham mais um presente vindo do professor, o livro “Meu nome crianças, é Macaé”. Um livro para todas as idades e que como Tonito conta em sua apresentação, nasceu das cobranças a ele dirigidas para que escrevesse um livro de história de Macaé, e, como não se achava pronto para tal trabalho por não ser historiador e se achar apenas um mero contador de histórias e memórias, este livro foi a solução encontrada para escrever de certa forma o livro de história de Macaé tão cobrado. Livro escrito na primeira pessoa com o “eu” lírico como fosse a própria Macaé contando sua história este livro é um primor de informações e encantamentos. “Meu nome crianças, é Macaé” acaba sendo o último livro lançado por Antonio Alvarez Parada em vida. Em sua bibliografia póstuma contamos 3 publicações: a reunião de suas 1000 histórias curtas e antigas em livro de 2 volumes em 1995; o livro “Cartas da Província”, de 2006, organizado por Larissa Frossard com seus escritos para o Jornal o Fluminense em coluna homônima entre 1 de julho de 1977 e 17 de novembro de 1978; e “O Fio da História”, 2007, compilação de escritos inéditos do autor organizado por Larissa Frossard e Vilcson Gavinho.

Em 1982 e 1986 Tonito proferiu importantes palestras no IHGB Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, sendo tema na primeira oportunidade o Barão de Monte Cedro e na segunda, o Conselheiro Almeida Pereira. Entre tantas honrarias que o professor ganhou podemos destacar a Medalha Tiradentes, maior honraria do estado a ele indicada por Claudio Moacyr de Azevedo.


Antonio Alvarez Parada deixou um rico legado com diversas obras literárias póstumas prontas a serem publicadas como o “Calendário Macaense”, “Quem é quem nas ruas de Macaé”, “70 anos de Poesia em Macaé”, “Palácio dos Urubus – Um breve histórico” e “Sociedade Macaense”. Seu acervo hoje está resguardo pelo afilhado, Cesareo Alvarez Parada Junior e pelos memorialistas Rúben Pereira e Grazielle Heguedusch. Um manancial de informações sobre Macaé que merece se tornar público para todos terem acesso como era a vontade do mestre.



Grazielle Heguedusch – Turismóloga com Pós graduação em História e Cultura no Brasil. Criadora do Almanaque Macaé Turismo e do Desvendando Macaé. Autora do Be-a-bá do Receptivo Turístico de Macaé. Pesquisadora do OMM Observatório da Memória Macaense.

Rúben Pereira – Musico, Poeta e Memorialista. Criador do Almanaque Macaé Turismo e do Desvendando Macaé. Gerencia o OMM Observatório da Memória Macaense. Co-autor do Be-a-bá do Receptivo Turístico de Macaé.





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